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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Gostava do inverno

Gostava do inverno. O aquecedor formava uma bola de fogo, um sol em seu corpo. Observava-a por horas no banho, gerando, cautelosamente, a vida. O contato da pele fria com a água quente emanava fumaças. Aguardava, ansiosamente, pelo término. Passava a manga do blusão no espelho, para desembaçá-lo. 
Sempre achara a cena engraçada. Depois de tantos momentos de intimidade, anos de convívio com ares de séculos de vida compartilhada, havia o mesmo diálogo:

- Que cê tá fazendo?
- Limpando o espelho.
- Tá bom. Agora pode ir.
- Não posso ficar?
- Não. Mas me passa a toalha.

Como na primeira vez, o embaraço persistia ao ter de deixar o espaço delimitado pelo box do chuveiro. Era justamente um dos motivos pelos quais a amava: a vergonha que demonstrava ao sair do banho - se não houvesse toalha para se secar, permanecia por horas na água. Era menina.
Gostava de escovar os dentes enquanto caminhava pela casa - segundo peculiar costume para amar, e brigar:

-  Dá para você ficar quieta em um só lugar? Ou não consegue perceber que a pia do banheiro foi feita justamente para você não ficar andando por aí e sujando a casa de branco? - reprovava, bravio demais para fazer notar que o problema em questão não era esse.
- A pia foi feita só para isso então?


00h08

E está difícil agora, Elise. Comecei a merda deste texto quando você resolveu sair por aí, dizendo que precisava respirar alguma coisa que não fosse este ar que criamos - e que agora renovo sozinho. Você foi até a praia e voltou para pedir desculpas. Dei-lhe uma bronca por ter pego a estrada à noite, apenas para que pudesse regressar e pedir desculpas. Comosefossemnecessáriasdesculpaseujáestavatranstornadoemimaginaroapartamento    sem você.

Comecei escrevendo isto aqui pois eu precisava listar - ah! grandes conselhos que recebemos daqueles que nada sabem - as belas razões que evidenciavam a sua importância para mim. Deveria responder a perguntas básicas como "por quê eu a amo". Estava tão furioso que desisti da lista nos primeiros dois segundos e optei pelo término, afinal era "a melhor solução". Em dois segundos eu não tinha conseguido pensar em nada?

E eu me dei conta de que não preciso pensar muito para descobrir o que me atrai em você: gosto quando você liga o aquecedor e prolonga o banho quente por horas; eu gosto quando você resolve caminhar pela casa - descalça - escovando os dentes. Gosto quando, aos domingos, você começa a cantar e gritar ao som de Wagner e detesto ao ponto de gostar de suas saídas intempestivas em meio aos seus dramas monumentais. Gosto porque sei que você sempre volta.

No entanto, desta vez, o seu banho foi curto. Você, Elise, não reclamou ao me ver no banheiro, não pediu a toalha e saiu nua pelo quarto. Vestiu qualquer roupa, escovou os dentes olhando - ou não - para o espelho ainda embaçado e, após pegar uma maçã na geladeira, saiu de casa.

Por isso eu tenho medo de que você não volte. Detesto ao ponto de não gostar de suas saídas intempestivas. Na verdade, esta é a única razão pela qual eu não a amo.

domingo, 13 de abril de 2014

Jorge de Lima e o registro

Eu não gosto de dividir minhas amizades. Sou ciumenta. No entanto, com a internet e esta mania incessante de compartilhar, aprendi a ser menos egoísta. É aquele papo colegial de "a banda é minha porque quem a descobriu foi eu".

Pois bem, vamos ao nome: Jorge de Lima. É famosíssimo. Morou nas proximidades de Graciliano, Aurélio Buarque, Rachel...
Na verdade, ouvir falar não é sinônimo de aprofundamento. Então, os livros de literatura do Ensino Médio apenas o citaram (e se citaram!), mas não me fizeram travar conhecimento. E agora eu revisito... E me enamoro.
É meu.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Abertura

Tem o poeta que diz que o amor é grande e cabe na janela. E não é ventana qualquer, não: cabe naquela que está sobre o mar. Para mim, a janela é uma das coisas mais fascinantes já pensadas pelo homem. A porta expõe, mas o tal do pedacinho retangular - pensemos em seu modelo mais conservador - esconde. É a pura verdade, minha gente. Eu não minto. A janela atravessou os séculos exercendo sua profissão com maestria: eu vejo o mundo, de meu ponto privilegiado, como quem não quer nada. Posso abri-la para observar quem passa, visto que não tenho nada a fazer e nem passo em direção a lugar algum; posso, em determinada hora do dia, refrescar o ambiente com uma ventilação natural e prazerosa; posso falar com minha vizinha, gritando "Ô dona Arnalda, a senhora viu que o Pereira deu um safanão na Maria no capítulo de ontem? Perdeu foi?"; também posso ver o tal do amor passar. Se passar, não?!

Sentei aqui para escrever sobre o amor e acabei me distraindo com a janela. Já bem pensei: é uma tentação. Uma vez o Paulo bateu aqui em casa, veio refletir sobre o tempo, o excesso de informação de nossos dias, o fluxo constante de imagens e a nossa falta de concentração, à esta última eu repliquei: pois fale por você, querido. Não admito hipocrisias, mas agora me distraio com a janela. O problema é que meu amigo discorria sobre os celulares. Tenho a certeza de que, se eu reclamasse o papel da fenestra como grande vilão da arte de se concentrar, Paulo me falaria que "ninguém quer saber mais de janelas, quem tem tempo de ficar olhando pra fora?". (É, já tivemos esta conversa, justamente por isso sei bem suas palavras.)

Termino o segundo parágrafo, e ainda não consegui sair da janela. Outro dia me vi reclamando do fato de que só sei escrever sobre o amor. E, apesar de darmos crédito aos grandes da literatura, acredito que todo mundo saiba arriscar algumas linhas para falar de amor. Ainda mais depois de ter se arriscado numa aventura amorosa. É. O que eu ia dizendo, visto que não está nos meus planos estender esta conversa, é que a janela (calma! Leia o restante) sobre o mar deve ser de uma grandeza descomunal. Fico me perguntando se a janela descrita engloba tudo o que se encontra no campo de visão do poeta - antes de entrar na casa e seguir em direção ao mirante pessoal. Porque o mar é aquela coisa: você pode ser uma formiga ou o Sultan Kosen, turco de 2,51 metros, que ele continua imensurável e indiferente.

A janela, o amor e o mar, no poema, são metafóricos, pois o mesmo mar cabe num colchão e o mesmo amor cabe no espaço de beijar - que é um aperto só, vale acrescentar. Tudo bem, mas é de se pensar. O meu último amor, por exemplo, coube numa caixinha azul. Está tudo lá, o amor inteiro (ou o que restou dele). É triste? Não sei. Eu o vejo como algo elástico. A gente, no início, precisa, sim, do mar todinho como medida de expressão do nosso amor. E, da mesma maneira, no encontro de duas bocas conseguimos encaixar a paixão de uma vida intacta juntos. Mas e a história que recebeu um ponto final? Ela é jogada pela janela (outra utilidade, aliás) ou a aliança é lançada "acidentalmente" ao mar (conheço muitos colegas que precisaram reaver a joia, visto que tratava-se apenas de um ponto e vírgula). Ou ainda cabe em uma caixinha azul. 

Vejo a ventana como aspas. Uma à esquerda, outra à direita. Eu sou a citação. Estou aqui, feito andorinha, seguindo o conselho materno: para o fim de um amor, basta ir à janela esperar outro passar. Se passar, não?! Ah! Se ainda fosse uma sobre o mar...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

18/7 - Quando a minha bisa morreu e eu não terminei o que havia começado

É um vazio. Este espaço em branco me desafia a chorar minhas lágrimas sobre ele, mas nada consegue preenchê-lo.
Eu fico buscando imagens, imagens que não estão. Não quero o que ficou por último, me assusta demais. Quero o que eu vi quando era criança. Eu quero aquela que aqui vinha para cuidar de mim. Não sei lidar com o tempo, não sei lidar com a sua passagem e me parece que não quero buscar saber ou entender. Aos meus olhos de agora, tudo é visto como sendo muito cruel. E nós perdemos tanto tempo no mundo, tentando fazer consertos e remendos 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Quando os sinos da igreja badalam, sinto-me perdida e presa no tempo. Entre o presente que me tem e o passado que se distancia.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Este post é aquele que nasce tentando falar sobre alguma coisa

Na verdade, este é um post que sempre surge depois de alguma mudança no ambiente. Ou seja, aqui no blog. Pode ser como quando você chega em casa e visualiza que sua mãe alterou a ordem das coisas. O sofá, que estava estrategicamente posicionado olhando para a TV, agora foi parar do outro lado da sala de estar, para dar espaço à nova mesa de centro. Aí ela tenta lhe dar alguma explicação.

O antigo "É como o vento..." surgiu nos últimos dias de 2008 e já foi de tudo um pouco. No entanto, nunca deixou de me refletir. Períodos em que eu comentava muito sobre moda e música, além de literatura e cinema. Períodos em que eu postava coisas interessantes que encontrava na internet, além de literatura e cinema. E os períodos vazios; com espaço apenas para os trechos de poemas e para as cenas de filmes.

O computador de casa, quando eu era criança, me servia apenas a duas coisas: jogar Paciência e o game [sensacional!] da Pantera Cor-de-rosa. Com minha primeira conta de e-mail no IG, por volta dos meus oito anos, as possibilidades começaram a se expandir. O que mais fiz nesses anos de web foi criar contas.

Já passei por flog, fotoblog, flogão, fotolog e derivados. O flickr continua ali, mais maduro, e inutilizado (quando criei meu usuário, havia um limite ridículo para compartilhamento!). Das minhas andanças, só este milenabuarque.blogspot.com resistiu. (E quase que o deleto.)

Eu gosto daqui, gosto do que tenho guardado. No ano passado muitos posts permaneceram como rascunhos em um período difícil. Alguns, inclusive, foram liberados a conta-gotas até esse primeiro semestre de 2013. Talvez o cinza do blog (após anos!) precisasse ser retirado. Não estava mais conseguindo escrever e publicar nada essencialmente meu. Em tempo: o Facebook também contribuiu para um espaçamento - e também esvaziamento da blogosfera como um todo. Muito do que encontro em sites compartilho no perfil da rede social zuckerberguiana (!).

O que faz a gente voltar para algo familiar é a saudade. Sempre. As novas cores e layout são para um renascimento (o lindo título, trecho de Milan Kundera, e a Mulher de Azul Lendo uma Carta se mantêm). 

Ou seja, tudo continua do jeito que está. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Como uma cachoeira oculta pelas árvores de uma mata, tenho em mim mil pedacinhos de detalhes perdidos. Ou melhor, à espera de serem descobertos. O caminho, no entanto, é para poucos. Não há mapa nem auxílio. Não há dica e nem segredos. Os meandros do meu corpo e do meu coração são para parcos desbravadores.

sábado, 8 de junho de 2013

Com brigadeiros, você me disse isso aqui

Existem pessoas na sua vida que você consegue saber que não merecem ser decepcionadas. Tantas passam, vão e voltam, tudo se altera, mas tem aquela que, por mais que o mundo dê pulos e tudo se agite de forma caótica, você sabe que não poderia magoar e machucar. É uma decisão, entende? "Tudo pode acontecer, exceto a decepção."
É lindo, isso. Completamente admirável e indescritível.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Eu me pergunto se os mais velhos de hoje já foram mais jovens

"Bando de cafajestes!"
"Tem mesmo é que tirar esses desocupados da via pública."
"Encrenca desgraçada, meus Deus do céu!"

Não é hipocrisia. Será esquecimento? Acomodação com o passar do tempo? Pode ser o surgimento de novas responsabilidades: você não vive mais só para si, mas para sua esposa e também para os seus filhos. No entanto, é de difícil compreensão. Ninguém esquece dos tempos de outrora, com os amigos no bar, comentando da seleção de 1970, mas se doendo com os córregos cheio de sangue, pelo meio-fio das ruas, dos filhos desse país.
E a ânsia por mudança? Ideologia de um coração partido? E as feridas causadas pela pátria a contemporâneos, sejam estes jornalistas, artistas plásticos, atores, cantores, vizinhos, guerrilheiros, opositores políticos. Crença.

Meu velho, você coloca essa máscara para assombrar quem por sua vista passa. Mas, por favor, não tente me convencer de que é assim em seu cubículo de segredos - todos nós temos um. Você se esqueceu de que já foi jovem? Ou você mantém alguém trancafiado aí?

sábado, 1 de junho de 2013

mar calmo não faz bom marinheiro

como eu posso ser tão hipócrita se foram esses caminhos tortos e difíceis que me trouxeram até aqui? aqui, onde estou, é um lugar feliz. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Por favor, um copo de amor

Todos os dias, há umas semanas, eu encontro um amigo muito pontual, sempre no mesmo lugar, para conversarmos sobre a minha vida e sobre a vida dele (confesso ter sido um pouco "espaçosa" e ocupado mais o tempo dele com as minhas indagações). Esses encontros têm sido renovadores, desde o seu segundo dia. Ele não é psicólogo, mas bem que poderia ser. Acredito que agora eu me conheça mais, assim como também tenho conseguido aprofundar algumas questões a fim de encontrar respostas coerentes - mesmo que temporárias.

A verdade é que, com o passar dos dias, atingimos a fase do filosofar. Ainda falamos sobre questões pontuais nossas, mas ontem, por exemplo, divagamos pelos caminhos e meandros do amor. Com o objetivo de não me esquecer de alguns tópicos falados, tentarei relatar aqui o que ainda está em minha cabeça.

- Diante do meu desespero, ele me perguntou: "Milena, por que você acha que existe o amor?" No qual eu respondi: "para nós vivermos. A vida não existe sem o amor".
Silêncio. Ele me disse que, do ponto de vista meramente biológico, o amor existe para nos reproduzirmos. Vários hormônios indicando aquela pessoa como "A" pessoa. Pausa. Virei para ele, indignada, e disse: "é claro que eu não paro, olho para a pessoa e penso 'uou! Você seria a pessoa certa para eu me reproduzir!'". Demos risadas.

- Constatei que a minha decepção é maior do que se pensa. Na verdade, ela é diferente. Não estou decepcionada com o que aconteceu: estou decepcionada com o amor. Eu o idealizo demais. Descobri que amar por si só não basta e ações são importantes também. Na minha cabeça de romances de Jane Austen, o gostar deveria ser maior que o estar junto. "Eu te amo para a toda a vida." Mas não é assim que as coisas funcionam. E minha concepção do amor começa a mudar.

- "O amor acaba?" Eu fiz essa pergunta a ele. Rebatida com "você acha que passamos a vida inteira amando a mesma pessoa?". Não terminamos este assunto, já estava na hora da aula. Mas, sinceramente, eu gostaria que funcionasse assim. Terei outra decepção? Não sei. Ainda tenho a convicção de que posso encontrar alguém para amar a vida toda. Estou ficando um tanto confusa nas minhas crenças.

- Até o Romeu enfrentou o mundo para ficar com a Julieta. Isto é a prova de que o amor precisa de ações. E um detalhe: o Romeu enfrentou pai & mãe, o que é a coisa mais difícil desse mundo. Esta, aliás, seria a única barreira realmente complicada e até intransponível - em alguns casos. De resto, tudo é superado para os que se amam. (Talvez eu não esteja tão desiludida assim.)

- Estávamos discutindo sobre o "querer saber se o outro está bem depois de tudo". Não entrarei muito em detalhes. Aí ele fez uma analogia engraçada para mim, um tanto quanto almodovariana, que me fez viajar e dar boas risadas. A pessoa enfia uma faca no peito da outra e pergunta se "está precisando de algo?" ou "está tudo bem com você?". 

- Na minha cabeça, eu consegui separar mais ou menos assim: da primeira vez foi um corte, que jorrou muito sangue e eu fiquei sentada em meio a tudo, aterrorizada com o chão tingido de vermelho; agora foi mais sério, uma faca não cortou, se alojou no meu peito profundamente. No entanto, não há sangue. Ou eu que estou limpando tudo rapidamente.

- Perguntei se a gente precisa perder para perceber que errou. Ele me disse que há algumas pessoas que conseguem perceber antes de realmente perder. No entanto, a gente sabe que a maioria só se dá conta quando não tem mais. Até o Frei Betto diz isso. Quando eu estou com esse meu amigo, ou "filosofando" com outros, sempre acabo fazendo perguntas elementares como um "por que?" ou perguntas que ninguém vai saber a resposta. Só preciso me questionar novamente. Em voz alta.

- Com essa conversa, meu amigo notou que, acima de tudo, eu amo o amor. Até contei para ele da minha visão no passado. Falei da Inês Pedrosa e do "amar em abstrato". Ele comentou que a maioria não ama o amor. Concordo com ele. Tudo se perde facilmente hoje. As pessoas terminam e terminam e se casam e terminam e namoram e terminam. Eu, entretanto, prefiro que meu próximo seja meu último. Who will be the next?

- Por fim, meu amigo refletiu sobre o que eu disse, pensou na minha visão do amor, no que ele falou e mudou de opinião. Recebi um sms que começa assim:
Meu, queria te falar uma coisa... Realmente o amor se justifica em si mesmo, realmente amar eh verbo intransitivo (...). Viu?! Estou ficando melhor que Padre Antônio Vieira! ;D


''-- Drummond me questiona se eu sou uma desiludida do amor, se eu estou desfechando tiros no peito e se eu estou me torcendo de gozo.
R: Olhe, meu coração é, sim, cheio de poesia. Mas constato que não sou uma desiludida do amor. Bom, tivemos uma pequena rusga. No entanto, já estamos nos entendendo. O tempo pode ficar nebuloso, acompanhado de um ruído ensurdecedor, mas nada muda a pequena Milena.

domingo, 14 de abril de 2013

18/4/12: Àquela pessoa que sempre procurou por respostas

Às vezes eu tenho a plena certeza de que estou passando por isso pelo que fiz a você. Uma "punição", sabe?! Ou, de forma mais doce, um jeito de entender o que houve ou me redimir contigo.
E, se realmente for essa razão, eu me preencho de paz e aceitação.

Talvez você seja realmente aquela pessoa por quem se morreria aos poucos.

sábado, 6 de abril de 2013

Poemeto de setembro

Chico,

Eu quero uma dor regada à bossa.
Eu quero o balanço do choro.
Quero sofrer sorrindo.


24/9/12.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Pingo vermelho no "I"

Quando uma ambulância passa pela rua, eu sinto uma mistura de medo com comoção. Existe aquele arrepio habitual, as sirenes tocam-me a alma, penso em quem está ali dentro. No entanto, visualmente falando, me comove a imponência e o respeito que seguem à passagem da ambulância. Não sei se a palavra certa seria "respeito". Mas eu gosto de observar a moto vermelha parando subitamente, a kombi se afastando rapidamente, o motorista jogando o veículo para o lado oposto, aquele outro carro quase que subindo a guia, pela falta de espaço.

A ambulância passa. Com ela, a tensão. Todos retomam seus afazeres. Gosto de observar o efeito dessa passagem. Sim, a palavra certa também pode ser "respeito". Por que não?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

De uma peça encenada ao longo de 2009

- Juliet is the Sun!!! Mata a Lua Cheia de inveja!!!
- Opa, opa! Mata a Lua Cheia de inveja! Ela arrasa então!!!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um pouco não importante, outro pouco relevante

As aulas voltaram hoje, dia 30. Para falar a verdade, eu já estava com saudade da rotina. Mas já reparei que, como várias outras coisas, esse sentimento também é diferente do existente na época de colégio. Na faculdade, durante as férias, eu fico com vontade de voltar às aulas, mas o tempo de comemoração pelo retorno da rotina é bem menor. Em muito menos tempo, já estou querendo férias novamente, outro respiro. Aí eu penso que devam existir alguns motivos para isso: o dia a dia da universidade é um tanto exaustivo; conciliar estágio com estudos requer mais de nossas reservas de energia; estou ficando velha.
Eu sempre fui meio velha para minha idade. Quanto tinha sete anos, já conversava como quem carregasse 100 nas costas. Minha avó costumava dizer que eu já tinha nascido na fase adulta. O que tenho a dizer sobre?
Bom, se eu nasci em 1992 e aos sete, em 1999, eu contava com 100 anos na bagagem, acredito que minha avó tenha errado por muito pouco. Considero-me uma pessoa do século XIX. Em nada tenho a ver com os jovens de hoje. Então me sinto muito bem assim. Talvez minha avó estivesse, com certa polidez, tentando esconder uns aninhos de minha idade.
Voltando ao assunto de minhas aulas. Estou definitivamente ansiosa para este semestre. Pela primeira vez, não olhei horários, disciplinas e não me preocupei com professores. Se me perguntar a razão do moderado "desleixo", não sei comentar a respeito. Me permiti saber que alguns de que gosto voltarão e outros também não estarão. Apenas isso. E é o ciclo da vida, não?
Mas acredito na, e o credito à, minha falta de tempo nos últimos dias. O retorno ao estágio, após o recesso de  um mês, foi repleto de mudanças: meu chefe muito bacana saiu, a outra estagiária encontrou novos caminhos e passei a desenvolver novas tarefas, das quais estou gostando demais - hoje mesmo fiquei além do meu horário de trabalho porque não estava com pressa de ir embora e na quinta-feira (pré-feriado em SP) lamentei não haver nada por ali no dia seguinte.

Esse post é mais uma tentativa - e um consequente fracasso - de falar sobre algo específico. Sinto que estou transbordando. E o que é melhor, transbordando coisas boas. Não sei explicar de fato; ou talvez até o saiba mas prefira guardar para mim. O ano passado, devido a momentos complicados, me censurei muito aqui neste blog, que é o meu canto. E, para mim, nunca houve nada melhor que vir aqui e escrever sobre qualquer coisa que estivesse em minha cabeça.
Portanto, chega de censuras - e é sobre isto que eu talvez esteja me preparando para falar com essas vindas aqui para dizer qualquer coisa. Finalmente, após tudo o que aconteceu, eu estou voltando a ser a Milena de antes, uma Milena que acreditava em N coisas que (quase) deixou de acreditar após um evento um pouco traumático. Sempre tive comigo que as pessoas podem fazer o que bem entendem com suas próprias vidas, seus caminhos e suas escolhas; mas costumava afirmar que deveria haver prudência para não machucar ninguém. Dizia que não havia sequer uma pessoa com direito de magoar a outra. Convicções, convicções... Depois acabamos descobrindo que, mesmo sem intenção, isto pode acabar acontecendo.
E a Milena que está voltando por aqui é aquela que, após quase um ano, conseguiu perdoar, guardar numa caixinha, tudo o que aconteceu. O caminho foi árduo, mas agora eu me sinto nova outra vez e  l e v e.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Qualquer coisa de recomeço

Eu começo o ano, como (quase) todo mundo, fazendo algumas promessas e me comprometendo a algumas coisas. Gostaria de dar um abraço em quem decidiu dividir o tempo em anos (mesmo em semanas e dias também). Adoro a sensação que a virada de ano nos traz. É uma noite como qualquer outra, nada é diferente em si: nós é que somos outros. Nós nos imbuímos de N coisas naqueles parcos minutos que separam o tal "ano passado" do "próximo ano". Amar mais, falar menos, escutar mais, pedir menos, agradecer mais, reclamar menos. Prometer ser um filho melhor, um neto mais atencioso, um namorado mais amoroso, um aluno menos displicente. Enfim, é quase como um momento mágico.
A gente precisa mesmo de recomeços, talvez fosse até melhor não precisar tanto para se mudar algo. As pessoas, no geral, precisam sentir que estão colocando um "ponto final" nisso para começar aquilo. A manhã do dia primeiro de janeiro seria exatamente igual a de 31 de dezembro se não fôssemos outros. O ano novo, de fato, está em nós mesmos. Eu acho completamente fascinante essa sensação.

-
Vim responder alguns recados na caixa de mensagens do blog e decidi escrever sobre a minha viagem ao Inhotim (MG), pois um dos meus compromissos firmados ainda no ano passado foi o de "voltar a escrever mais no blog". Aí eu viajei para Costa do Sauípe, fui para Brumadinho, e ainda não parei aqui para contar qualquer coisa. 
Enfim, não foi sobre o super museu de Minas, mas uma reflexão básica da manhã do dia 18. Filho de hoje.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sobre o nome do blog e otras cositas

Sempre fui uma pessoa de experimentar tudo quanto é novidade na internet. Já tive flog, fotolog, flogão, fotoblog e afins. Tenho conta no flickr, usei muito o soundcloud e o photobucket, adoro o filmow e me cansei rapidamente do skoob. Só não criei esse tal de ask.fm, acho que estou velha para isso. Rs. Mas lembro de um parecido, o tal do formspring. Ah! Também não consegui mexer muito no tumblr e acabei desistindo. No entanto, a única coisa que não abro mão, não deleto e não canso é o blog. Confesso já ter passado por minha cabeça a ideia de abandoná-lo, transferi-lo para a plataforma wordpress e até escondê-lo temporariamente. Mas nunca tomei nenhuma dessas atitudes. Até porque me arrependo muito por ter deletado o meu fotolog, a única coisa disso tudo que lamento ter apagado de verdade. Seria ótimo poder ver novamente tudo o que eu falava e pensava naqueles anos. Exatamente por ter esse tipo de pensamento que me comprometi, ao iniciar o blog, deixar esse espaço viver.

E por que eu estou falando tudo isso? Na verdade, eu nem sei. Estava me questionando se faria ou não aqueles habituais posts de final de ano (a propósito, estou falando de 31 de dezembro mesmo e não do suposto fim de amanhã) e, de repente, me deu vontade de falar isso. Mentira.

O nome do blog mudou (esta é a verdade). Sim, alterei o "É como o vento...". E na mesma medida que sou uma pessoa super dada a mudanças, sou muito tradicional e cheia de manias e costumes (exemplo? Ir sempre na mesma sorveteria e pedir o mesmíssimo sabor há anos). Mudar o nome do blog significa muita coisa - ou não.

Eu devo realmente estar com vontade de falar algo, pois ainda não consigo ver muita utilidade neste post. Enfim, "É como o vento..." surgiu daquela famosa frase daquele famoso filme: o muito romântico A Walk to Remember (2002). "É como o vento. Não posso ver, mas posso sentir." A menina está falando sobre o amor e tudo o mais. Não se trata do meu filme predileto e nem na época em que criei isso aqui ele se enquadrava no meu Top 10. Também não estava vendo a história do casal Jamie e Landon no momento em que fazia meu cadastro no blogspot. Acho que escolhi essa frase para título muito mais por gostar de/o "vento". Adoro a imagem que tenho de uma boa e adorável (e leve) ventania. E também por falar de amor, é claro. Acredito que eu fale de amor até demais. Mas estou bem assim.

Seria este um post apenas para sinalizar a (grande) mudança de nome do blog? Provavelmente não, porque não me estenderia tanto assim. Talvez eu esteja com vontade de escrever aqui. O blog já passou por diversas fases: no começo, eram aqueles poeminhas, posts de aniversários de amigas e filmes/livros; depois veio um momento em que comecei a falar mais de moda (sempre gostei), e continuei dividindo este espaço com minhas histórias do que costumava ler; e nesses últimos anos ele foi se fixando como um lugar só meu, para as minhas reflexões e o que viesse em minha mente (e é desta faceta que mais gosto).

Olhando o histórico de postagens, vejo que este ano eu publiquei menos coisas, o que é bem engraçado. O blog, em 2012, foi muito acessado por mim. No entanto, grande parte do que escrevi permaneceu nos drafts - ou rascunhos. E, venhamos e convenhamos, se eu quisesse apenas desabafar, abria um arquivo do word. Ou seja, esse ano eu me censurei muito. Escrevi bastante e compartilhei muito pouco. Por quase jornalista que sou, o ato da censura (e da autocensura, no caso) é visto aos meus olhos como algo ruim. Tenho liberado alguns textos ultimamente... Talvez seja esse o motivo de escrever isso aqui agora: publicar algo do instante imediato e não um fruto de acontecimentos passados.

Pois é. O nome do blog mudou, e um novo ano vem aí. Quem sabe não role aquele post batido de "adeus, ano velho"? Rs. Adoro essas coisas!


(MB)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

23/7: O dia em que eu estava triste e pensava que fosse ficar feliz. Mas aí me machuquei mais uma vez na semana seguinte


Eu estava aqui pensando que deve haver alguma lógica na felicidade. Assim, uma espécie de ordenação aos momentos felizes. Ou melhor, ordem para as pessoas felizes. Um tal de "um por vez", entende?
Será que é possível todo mundo ser feliz, ou "estar bem", ao mesmo tempo? 
Talvez exista algum revezamento, um certo equilíbrio. "Hoje não é o meu dia", sabe? 

Pois é. Tem hoje que é o seu dia e tem hoje que simplesmente não o é. E é aí que podemos observar uma balança enorme, imaginária: enquanto eu estou bem, há alguém neste momento que se encontra muito mal. E vice-versa.

Pode ser uma visão maniqueísta ou até um tanto positiva, dependendo do olhar. 
Exemplo: estou duplamente "infeliz" hoje e me consola pensar que há alguém com dois motivos realmente muito bons para sorrir. E, ainda mais, que é amanhã já será o meu hoje. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

02/04/2012

Havia essa explícita necessidade. Não tinha outra cura ou remédio. Porque já era notável, a quem estivesse passando na outra calçada, que, a cada quatro passos que ela dava, valia uma mirada para trás.

Ela ia sem bagagem. Mas numa velocidade de tartaruga quando cabisbaixa. Porque já era notável, a quem estivesse passando na outra calçada, que a menina não estava com ânimo nenhum de ir embora. O que estava à frente, no momento, não lhe atraía. Era um céu acinzentado feito uma pasta homogênea. (No entanto, sejamos francos: nem o que estava atrás, objeto de sua atenção constante, era mais "atrativo". Nada havia. Apenas o deixado.)

Mérito da ventania ou de uma breve reflexão: ela viu a esquina. Achou sua resposta. O que será que encontro se eu dobrar a esquina? Será pior do que aqui? Será melhor? Vale a pena abandonar meu vagaroso caminhar se eu não posso mais voltar?

A única certeza, então, era essa: virando a esquina, você não tem mais como olhar para trás. A visão é outra. Tudo será esquecido porque deixado em outra rua.

Minhas memórias são como um grande quarteirão perdido em uma cidade cinza.