sábado, 23 de outubro de 2010

Envolta por

Etérea. Bela e complacente. Não sei dizer quais foram suas histórias, seus dilemas, problemas, tormentos e ações. O que fez da vida? O que faltou fazer?
Se a imagem fora distorcida, também não sei.
Mas o homem de terno preto, caminhando pela galeria, decidiu observá-la por mais de vinte minutos. O seu rosto, aquele seu sorriso tímido e olhos genuínos. Posso presumir que suas vistas partiam dos cabelos displicentemente (suponho) jogados ao vento, depois caminhavam pelos contornos delicados da face e se quedavam um grande tempo nos lábios avermelhados (envergonhados).
Tudo clamava por atenção na sua imagem, mulher - fala minha; fala do homem.
O visitante da exposição, durante os dezquinzevinte minutos, caiu em uma grande vertigem. Em seu mundo, loucamente buscou por você. (Isso, ambiguidade!) Ele lhe conheceu ali e lhe quis por um dia de vida inteira.
Ele estava atônito, é verdade. Daí, houve um clarão. Para mim, foi o fluxo de pensamentos. Para o moço da porta, foi a luz do local. Para ele, você.
O homem, por fim, no ápice do sentir, se distanciou da moldura e seguiu seu caminho.

- Mulher, estou aqui para entender e verificar se você notou o que aconteceu? Sim, também estou conversando com você, claro.
Como foi ser fruto de uma paixão tão grande e completamente manifestada por olhares tão calorosos?
Já havia dito, eu não lhe conheço. Mas agora eu sei porquê você está aqui.
Só para ser amada, mais nada.
Preciso confessar-lhe a enorme inveja que me acomete. Percebo, porém, a mudança em sua expressão. Você sentiu, não?! Esse amor tão louco e tão verdadeiro!
Ele amou muito você, moça do quadro.

[MB]

5 segredos:

Gabriela Petrucci disse...

Que fofura, Milena!
Como sempre, fiquei sem palavras!


Beijos

Jorge Ricardo de Barros Makul disse...

Não sou o homem do terno preto, mas tem uma moça (que não é de quadro) que quando à vejo perco a noção de tempo e espaço, encontro o meu caminho, o coração entra em desespero e por consequencia me imobiliza, ou seja minha luz...
quando fixo meus olhos nos dela me afogo no brilho desses olhos que são o meu colírio que me aquecem no frio e me esfriam no calor, é quando sinto o maior dos sentimentos o amor...

Luh Rodrigues disse...

"Só para ser amada, mais nada."

Simples assim! Lindo texto, Mi!

Beijos

Anônimo disse...

COLÍRIO?? hahahahahahaha

Manuela Lago disse...

Juro que se o google não tivesse implicando comigo você teria mais uma seguidora! O blog é lindo, com textos que são pura arte, e a escritora me conquistou de cara por gostar de teatro, Chico Buarque,e rock.

(adicionei o seu msn)

Beijos.