quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cenário: Praça da Sé

Às 06h da manhã a cidade está amanhecendo. Na Praça da Sé, o coração de São Paulo, a correria começa cedo. Um corre-corre ainda que sonolento. Da estação de metrô, uma multidão sai a cada 3 minutos e se espalha pelas ruas adjacentes: uns se encaminham para a R. Direita, outros para a XV de Novembro e há aqueles que se dirigem ao Patriarca.
Os quatro senhores de meia-idade abrem suas bancas de jornal, os pobres mendigos, expulsos, caminham em busca de outros lugares e um servo de Deus ligeiramente jovem aparece em silêncio para mais um dia de oratória estridente. A Limpurb chega com seus guinchos de água para retirar os resquícios da noite passada. Mas os cheiros de urina, de mofo, de suor humano, de fome, são os aromas da praça. Não há água que os retire.


MB
Para 'Construção de Narrativas'

Um comentário:

  1. Realmente, não há nada que faça desaparecer o sinal da vida... a marca que ela deixou pela noite.

    (me desculpe por comentar nesta postagem e não na recente.)

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