![]() |
| Natal de 2008. Não vou mais comprar osso gigante e embrulhar com papel de presente |
Eu espero que você esteja bem. Na verdade, eu não sei o que falar, mas há uma necessidade em dizer algo. E, como eu não encontro palavras, as lágrimas começam a descer pelos caminhos do meu rosto. Nessas horas, as palavras realmente se mostram pequenas e inúteis.
Agora, no café, foi um vazio. Não tinha ninguém para ficar me olhando e movendo patinha por patinha - com a maior cautela para não ser notado - até conseguir entrar na cozinha. Não pude gritar com ninguém "Sai, Timããão. Vai pro seu quarto!". Também não perguntei pra nenhuma pessoa se o Timão já acordou.
Você não falava nada e era aquele típico cachorro que nunca latia. Mas, hoje, o silêncio impera aqui em casa. Eu sei que, se você estivesse aqui, nós estaríamos falando - mesmo com você dormindo.
A primeira coisa que meu pai fez ao chegar ontem foi tirar seu "quarto" da sala. Ninguém suportava olhar mais. Meu pai também foi o primeiro a ir ao quintal e guardar o pote de água, como se ele quisesse esconder a realidade da gente. Hoje eu percebi que minha mãe não conseguia conter o olhar ao passar pela sala. Descendo ou subindo as escadas, nós sempre virávamos o rosto para vê-lo dormir.
Como a Mariana vai reagir quando souber? Com quem meu pai vai "caminhar" à noite"? Nos próximos domingos, quem vai arranhar a porta com medo dos fogos de artifício? E aquele menino que passa pela nossa casa, vai procurar o "Limão"?
Eu espero que você esteja bem. Na verdade, eu não sei o que falar, mas há uma necessidade em dizer algo. Você me fez, depois de muitos anos, voltar à cama de meus pais durante a madrugada.
MB


