sábado, 30 de abril de 2011

Breve comentário breve

Nem acredito que mais uma semana passou tão rápido. É clichê isso (mais clichê ainda é dizer que isso é clichê, não?!), mas realmente me assusta. Na faculdade, já estamos falando em fim de semestre. E eu sentindo que estávamos no comecinho...
Não sei se gosto desse tempo que resolveu correr um pouco, como se estivesse atrasado para algo. Mas está tudo bem. Minha cabecinha, que às vezes decide questionar muitas coisas e sofrer com parcas respostas, está tranquila.
Como o vento, estou fluindo... Uma brisa gostosa.

Até o blog está mais assim. Assim, sendo.
Gosto disso.
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Poetinha I

No fundo o que eu quero é que ninguém me entenda.
Para eu poder te amar tragicamente!

elegia lírica,
vinícius de moraes

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Agora Inês é morta!

"O senhor, que tem o rosto e o coração humanos, deveria ao menos compadecer-se destas criancinhas, seus netos, já que não se comove com a morte de uma mulher fraca e sem força, condenada somente por ter entregue o coração a quem soube conquistá-lo. (...)"

Inês de Castro, Os Lusíadas
Camões


Ontem fui assistir a uma peça no Teatro Ruth Escobar. Ele fica no bairro da Bela Vista, italianíssimo, que tem muita história legal para contar. Mais do que o bairro, as pessoas que vivem por ali. Cheio de cantinas e restaurantes bacanas, não sei ao fundo a sua história, mas parece que data de 1870 - para mais. E os imigrantes se sentiram muito bem acomodados no Bixiga, pois as ruas estreitas (de 60 palmos de largura) lembravam as aldeias italianas.
Enfim, já conhecia o bairro, claro, mas foi a minha primeira peça no Ruth Escobar! Sim! Foi significativo também porque a primeira peça de teatro que minha mãe viu em SP - ela é de Recife - foi lá. (Um monólogo com o Diogo Vilela.)

Não sei porquê decidi fazer esse post. Acho que era para falar da Inês. Rsrs.
A peça que vi foi Inês de Castro, até o fim do mundo, do Grupo Dragão 7. Bacana! Não vou falar da peça (oi, Milena, posso parar de ler o post então?). Ontem, na volta, minha mãe disse que eu e meu pai somos muito críticos. É que nós comentamos luz, figurino, cenografia, atuação, sonoplastia etc. Impossível! Depois de falar do espetáculo como um todo, partimos para os pormenores - adoro essa parte! Aliás, trairia meu costume e instinto de observação...
No geral, a peça é boa.

Ok, o post não é para falar do bairro, do teatro e nem da peça. Sobre o que eu quero conversar, afinal?
Ah, "Acho que era para falar da Inês. Rsrs." [2]

Então, em Os Lusíadas, Inês é um episódio lírico-amoroso que representa a força e a veemência do amor em Portugual. Camões - na voz de Vasco da Gama - relata o assassinato da bastarda pelos capangas - ou ministros, rs - do rei D. Afonso IV. O rei decidiu matá-la por causa do seu envolvimento amoroso com D. Pedro.
Inês ainda tenta dissuadir o rei - trecho no início do post é dessa hora -, mas ele não muda de opinião, embora hesite por um instante.
Depois de morta, D. Pedro decide coroá-la. Dizem que ele mandou vesti-la com roupas nupciais, e mandou todos os nobres beijar-lhe as mãos. Essa é a razão de ela ser "a rainha depois de morta".

A Inês da peça estava mais para uma Julieta. Talvez porque eu não a veja tão "menininha" assim - apesar da personagem shakesperiana também não o ser. Galega, linda, vejo uma Inês forte e pronta para aceitar o seu destino traçado. Na peça, ela só sabia, mas não estava pronta. Não que tenhamos de estar sempre prontos para enfrentar a morte, claro. Mas a Inês que vejo se assemelha mais com uma heroína.
Quando ela se ajoelha diante de D. Afonso IV - maldito! -, no fundo, não é para dissuadí-lo. Mas para proclamar mais uma vez o seu amor por D. Pedro, para lembrá-lo de que ele - o rei - tem netos, que neles correm o sangue real português, para mostrar sua força e, principalmente, simplicidade. Ao contrário do que falavam, Inês nunca desejou o posto de rainha. Ela queria ser feliz ao lado do homem que amava. Só isso.

Inês com Pedro / Na hora de sua morte / Coroada e reverenciada



Sexta-feira, 22 de abril - 11h46
MB

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Dos incômodos (Parte II)

Seu Genaro Capelano era aquele tipo de pessoa que sempre tinha a coisa certa para dizer no momento exato em que eu mais necessitava. Ele gostava de enigmas; emitia suas opiniões através de frases famosas do cinema ou de personagens da literatura. Aos 86 anos, de um corpo esguio, meu avô tinha a agilidade de poucos. Às vezes, quando eu estava na minha última aula do dia, ele deixava um lembrete com a Dona Gina, a senhora da cantina que, por sinal, era ligeiramente apaixonada por ele. Era uma espécie de código. Eu tinha de encontrá-lo no Pátio do Colégio. E nós passávamos minutos - ou horas talvez – olhando o céu.

*

- Vô, se eu olhar apenas seus olhos, já consigo ver o céu, sabia? – amava as variações de azul que ocorriam ao longo do dia naquelas pequenas jabuticabas de Seu Genaro.

- Só você mesmo, querida – alisava os cachos dos meus cabelos – Mas e as nuvens? Consegue vê-las no céu dos meus olhos?

- Não – dei uma leve risadinha – Mas vejo umas estrelas bem pequeninas.

Ontem eu me sentei no banco em que costumávamos ficar. Foi como se ele tivesse aparecido ali, só para olhá-lo nos olhos.
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Dos incômodos (Parte I)

- Você vai hoje, Lara? – perguntou-me, enquanto fazia uma lista em uma folha qualquer do caderno.

- Não sei.

- Vai acabar indo – ele sorriu para mim e se virou para outra pessoa com a mesma pergunta que me fizera.

Carlinhos tinha razão. Eu ia. Na verdade, eu via motivos para ir, mas me faltava vontade. Todos os dias, os meus amigos de classe, do 3º ano B, do Colégio São Paulo, se organizavam rumo à Praça da Sé, ao Vale do Anhangabaú para exigir o impeachment do presidente Fernando Collor.
Não que eu não me preocupasse com a situação atual de meu país. Mas eu me questionava sobre a importância disso tudo diante do abismo em que estava a minha vida. Era o ano de 1992 e meu avô havia ido embora. Para nunca mais voltar.

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domingo, 17 de abril de 2011

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Era cruel o que fazia consigo própria: aproveitar que estava em carne viva para se conhecer melhor, já que a ferida estava aberta.


clarice lispector

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Não é físico

Se pudéssemos sentir antes o que nos fará falta depois, a saudade seria opcional, antecipada ou, quem sabe, até mesmo evitável. É complicado dormir quando a última estrela olha para mim perguntando onde estão as outras. A última é a presença e a falta acontecendo ao mesmo tempo.


os famosos e os duendes da morte
- ismael caneppele

Hoje tem sessão do Cine Rever. E, depois, palestra com o Esmir Filho.
#ansiosa

domingo, 10 de abril de 2011

E o sol chorou suas lágrimas de chuva. Porque até ele não era capaz da felicidade plena.

MB
Que eu não mando no querer, aliás, é o querer que quer me governar
Hoje eu vivo pra dizer, eu digo pra viver, você é meu lugar
Se o amor não nos quiser, então azar do amor, não soube nos amar...


Vinícius Calderoni

 
08. Mesmo quando a boca cala by milenabuarque

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Do Bill Brandt

Diante da melhor foto do mundo - de hoje -, fiquei apaixonada.



MB

Cenário: Praça da Sé

Às 06h da manhã a cidade está amanhecendo. Na Praça da Sé, o coração de São Paulo, a correria começa cedo. Um corre-corre ainda que sonolento. Da estação de metrô, uma multidão sai a cada 3 minutos e se espalha pelas ruas adjacentes: uns se encaminham para a R. Direita, outros para a XV de Novembro e há aqueles que se dirigem ao Patriarca.
Os quatro senhores de meia-idade abrem suas bancas de jornal, os pobres mendigos, expulsos, caminham em busca de outros lugares e um servo de Deus ligeiramente jovem aparece em silêncio para mais um dia de oratória estridente. A Limpurb chega com seus guinchos de água para retirar os resquícios da noite passada. Mas os cheiros de urina, de mofo, de suor humano, de fome, são os aromas da praça. Não há água que os retire.


MB
Para 'Construção de Narrativas'

domingo, 3 de abril de 2011

Cigana:

Ora, mas que perversa esta garota!
Não é no seu modo de andar, claro. Encontro maldade nos seus lábios escarlates falando doçuras. O que é pior, convenhamos.

MB.
Esvaindo-me neste exato momento. E tendo a plena noção disso.
Não sinto dor. Por que?

sábado, 2 de abril de 2011

Desaguando

Desde novembro do ano passado, está acontecendo a exposição Água na Oca, no Parque do Ibirapuera. São vários andares (3 + 1 de cinema) tratando do tema das mais diversas formas possíveis. Sua importância para os seres humanos, uso consciente, aquários reproduzindo lagos e rios do mundo todo, as expedições marítimas do século XVI, os bichos estranhos (mesmo!) que vivem nas profundezas (mesmo!) do oceano, canoas e remos de tribos antigas, reciclagem, quanto de água tem em um dente (menos de 1%) ou em elefante etc.
A exposição é muito bacana. Fui no domingo 27, e o tempo estava bem quente. Quando entrei, senti um alívio... Ah! Tem um andar com instalações de vários artistas, representando a água de uma maneira singular e audiovisual. As três obras de que mais gostei são do mesmo artista: William Pye.

 
Tudo isso vai até maio. E o último domingo de cada mês é gratuito.
Aqui, o site.

 
Registros oculares:
Oca de fora

Pouco ocular do meu pai

Depois de 20 minutos na fila, estamos chegando

Andar das instalações

Reproduzindo as ondas do mar

Pai na bolha de água

- Não saiu a chuva no fundo, pipo!

Hehe...


Vale a dica,
Té+!
MB