segunda-feira, 28 de março de 2011

Verdade do século XVII e de hoje

"estrelas que todos veem, e muito poucos as medem."

Padre Antônio Vieira

sábado, 26 de março de 2011

Música de todos os dias



E você vai me ensinar as suas verdades
E se pensar, a gente já queria tudo isso desde o início.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Na Fau - Usp



Rua Maranhão. Faculdade de Arquitetura hoje. Encontro de intelectuais e da elite paulistana. Discussões sobre a Semana de 1922. Minhas impressões ontem. Art Nouveau.

Eu em livros

No dia 14 de março, o Guh postou sobre o Dia Nacional da Poesia. Em meio ao texto: http://br4.in/9slx3
Um teste sobre qual livro você é. Já parou para pensar?

Fiz o meu; não deixaria passar.
O resultado, ei-lo:

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
"Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.

A Paixão Segundo GH, de Clarice Lispector
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A Paixão Segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector, amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto
Às vezes você tem uma séria vontade de estapear as pessoas, só para fazê-las acordarem e perceberem as injustiças deste mundo. Como podem viver em seus mundinhos banais, quando há quem passe fome e totalmente à margem de qualquer conforto ou assistência? Esta talvez seja a sua maior revolta. Por isso, você tenta fazer a sua parte. Talvez por meio de um trabalho voluntário, participando de movimentos populares ou somente se exaltando em rodas de amigos menos engajados. De qualquer maneira, você consegue de fato comover pessoas com seu discurso apaixonado e, ao mesmo tempo, baseado numa lógica de compaixão e igualdade que ninguém pode negar.
Essa missão é mais do que cumprida pelo belo "Morte e Vida Severina" (1966), poema dramático escrito pelo pernambucano Melo Neto que se tornou símbolo para uma geração em conflito com as consequências sociais geradas pelo capitalismo selvagem.


Morri, 

quarta-feira, 23 de março de 2011

ela que lhe dói

, de qualquer forma eu tinha sido atingido, ou então, ator, eu só fingia, a exemplo, a dor que realmente me doía, eu que dessa vez tinha entrado francamente em mim, sabendo, no calor aqui dentro, de que transformações era capaz,

Raduan Nassar
Um copo de cólera

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ophelia

E é doce o naufragar-me nesse mar.

Vinícius de Moraes.
(O infinito de Leopardi)

sábado, 12 de março de 2011

Carnaval? [1]

Primeiro amor, Samuel Beckett - Mais conhecido por peças de teatro, este Becktt se trata, no entanto, de um texto narrativo. Na verdade, é tão pequenino que parece mais um conto.
O nome é para ser desconsiderado se a expectativa for uma doce novela romântica. A narrativa é um pouco perturbada; primeiro amor um tanto angustiante. Claro que primeiros amores são verdadeiras centopeias em marcha (e dando nós, alternando velocidades) dentro da gente. Porém, no livro, não se sabe se o narrador - sem nome - é uma vítima ou um sujeito cheio de maldades.

*

Só para mulheres, Clarice Lispector - Só porque Clarice lê minha alma - e lê as tensões e paixões de 10 entre 10 garotas -, não creio que a autora seja só para mulheres... Não é.
Esse livro, entretanto, é uma coleânea de conselhos, receitas e segredos (nomes dos capítulos) publicados por seus pseudônimos femininos: Tereza Quadros (Comício), Helen Palmer (Correio da Manhã) e Ilka Soares (Diário da Noite).
Sabe o que notamos durante a leitura? Que nós, queridas, não mudamos nada.
Muito rápido de ser lido e bem divertido.

*

Salesópolis - Fui pular carnaval na nascente do Rio Tietê. Juro.
Com meu pai em casa, sendo dois sedentos por aventuras, resolvemos (de repente) ir ao Parque Nascente, que fica em Salesópolis, depois de Mogi das Cruzes, quase em Paraibúna... Uns 100 km da capital.
Quando da minha 4ª série, fui apresentar uma peça de teatro lá na Estação da Sabesp. Cresci com a impressão, não sei porquê, de que havia conhecido a nascente. (Foi o moço que comentou, na época, que o berço do Tietê era lá. Fiquei com a sensação de tê-lo conhecido.)
O parque é pequenino, tem uma trilha menor, a média e a grande. Todas chegam (é o propósito inicial) à nascente.
Lá você encontra informações sobre a história do rio, o descobrimento da nascente, a quantidade de água que jorra por hora e muitas dicas de preservação ambiental (mais voltadas para as crianças).
E mais: para saber se a água que você está prestes a beber é potável, é só ver se você acha a... aranha d'água nela! Se tem esta aranha (o moço disse), pode beber! Um verdadeiro indicador natural.
Nunca pensei que, perdida em uma selva/mata/floresta, fosse depender de um ser cheio de ventosas. Apesar de gracinha, não gosto de aracnídeos.

*

The Hours, Stephen Daldry - Céus, não sei o que falar. O filme é excelente e deve ser visto.
Talvez não tenha conseguido lhe convencer com essa falta de argumentos. Hum... Falar que a Nicole Kidman ganhou o Oscar por ele também não adianta, não é?! O Oscar pouco serve como avaliação, e vitrine, de filmes excelentes. Muitos ótimos não foram premiados. Tem aquela frase sobre a previsibilidade da academia. Lálálá. Verdade.
Enfim, ela ganhou o prêmio. Ah! Tem a Meryl Streep sensacional!
Três mulheres - soma-se a Julianne Moore às outras duas - em diferentes épocas. Virgínia Woolf (Nic. K.) escrevendo Mrs. Dalloway, Laura Brown lendo Mrs. Dalloway e Clarissa Vaughn (Streep) sendo a personagem.
O filme é cheio de simbolismo, visualmente perfeito e muito "íntimo". Você vive a angústia das três. Todas num iminente suicídio - mesmo que psicológico.
Mais: Ed Harris. Pois é.

*

Fargo, Joel Cohen - Filme dos irmãos Cohen. "Comédia dos erros", como estava na capa, aliado ao gênero "Drama". Perfeita descrição - estilo cohen.
Trata-se de uma história real, de 1987, sobre um sequestro que acaba muito mal.
Rápido, engraçado - diversas vezes e por nenhuma piada intencional - e original. Trash.
Gostei. Entretanto, achei o Oscar de Melhor Atriz para Frances McDormand totalmente questionável. Falei com um amigo meu - outro cinéfilo -, e ele disse que também achou isso no começo. Falou para assistir de novo. Assistirei.

*

(...)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Não ser abraçada

Há um desejo ardente em mim. Quer tanto se concretizar, se materializar, que sinto dor em cada vértebra. Dói meu coração também.
Quero dar um jeito de sair do mundo. Pular fora. Porém, só para abraçá-lo. Sinto-me sozinha. Preciso de um abraço. Não. Preciso abraçar algo, supostamente, maior do que eu.
Um esforço de um desejo se convertendo em desejo. Uma vontade se desfazendo, à medida que sanada. Pois é dor. Vontade doendo. Não querer mais ter vontade.
Não ter essa possibilidade. Mas não me disseram que a angústia só nasce quando há possibilidades? Aqui não tem escolhas. Só posso querer tê-la. Assim, ter dor. Esforço-me para realizar esse desejo - repito.
Hoje, no entanto, também me disseram que é impossível sair do mundo. Muito menos sair do mundo para abraçá-lo.
Perguntei porquê. Obtive como resposta: "que pergunta!"
Ora, o impossível só existe porque não foi tentado antes.

Hoje, tenho certeza, sairei do mundo. E irei abraçá-lo. No maior esforço de realizar o desejo de minha vontade.
Ela que quer.

[MB]

Theastai


Registro ocular da minha primeira aula (03.03) com o Zédú. Teatralizarei nas quintas-feiras! Uhul!

[MB]

sábado, 5 de março de 2011

Dos 5 vídeos necessários - V



Apesar de não ser do filme, a música da Shakira ficou perfeitamente bem no vídeo...

I hope the exit is joyful and I hope never to return,
Frida.
O que vem depois do silêncio? Mais silêncio?
Ou isso aqui já é o barulho?

[MB]

quinta-feira, 3 de março de 2011

Epiphany

O sapato da mulher tap toc tap. Rodas na água corrente. Pingos alternados no guarda-chuva. Guarda-chuva passando embaixo da árvore. Carros derrapando. Buzinando. Motoristas gritando. Criança chorando. Mulher apressada. Fumaça dançando. "Bom dia, dona moça". Cheiro de pão com queijo derretido. Café. Café. Café com leite. Açúcar com café. Chocolate. Quente, por favor! Pensamentos voando. Flores no asfalto?
A música do dia de hoje tinha cheiro e gosto. O céu cinzento orquestrava tudo de acordo com.
Existem ruídos que simplesmente acalentam... Now I can see.

[MB]